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9 de Abril de 2010

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AS MÃOS CHEIAS DE NADA

por peixearanha

Sempre a mesma gravata ás risquinhas.
Dois telemóveis pousados lado a lado sobre uma folha de papel A4 imaculada e uma caneta aberta, do lado esquerdo de quem escreve com a mão direita, aparecem numa das imagens escolhidas para ilustrar a entrevista em papel do jornal “Grande Porto”, de 2 de Abril de 2010. Nas outras, Pinto Moreira, parece estar a fazer yoga.

Na edição on-line, Pinto Moreira aparece numa única foto, numa pose menos patética mas bem mais preocupante. Num gesto de puro marketing exibe as mãos cheias de nada…parece sorrir.

Na entrevista damos conta que as perguntas do jornalista são mais competentes e interessantes do que as respostas do presidente, ás vezes hilariantes e indesculpáveis mesmo para um aprendiz de político profissional, o que não deixa de ser um paradoxal para quem se gaba de ter feito tão bem o trabalho de casa em plena campanha eleitoral.

Pinto Moreira, assume já, embora ainda lá não tenha chegado, 6 meses de nova gestão após a vitória sobre o PS, mas continua refém de José Mota o que revela uma trágica dimensão psicanalítica.

Voltando à fotografia, ela simboliza o vazio que foram estes seis meses em termos de acção por parte do novo executivo, de incapacidade para executar o seu programa, de falta de obra própria. É a imagem de marca deste presidente, sem passado, sem presente e sem futuro. O que é que lhe fugiu das mão? O que é que ele espera que lhe caia nas mãos? Será aquele o tamanho do “buraco” que encontrou?

Pinto Moreira afirma: “Em 16 anos não se gastou um único prego, uma única lata de tinta, nesses bairros, não se cuidou dos espaços exteriores, não se deram condições de habitabilidade ás pessoas que lá vivem.” De que bairros fala Pinto Moreira? Ou está mal informado ou mal assessorado. Aqui ficam apenas alguns exemplos que acompanhei como técnico. Do antes e do depois.









Mas não foram só as intervenções do PRUM, que, aliás foi reconhecida internacionalmente com uma Menção Honrosa no Prémio Europeu do Espaço Público Urbano 2002, foram também intervenções no Complexo Habitacional de Paramos, a construção dos PER de Silvalde e Anta, este último também premiado pelo INH, que provam o contrário do que Pinto Moreira afirma.

Mesmo para quem passou anos a pedir justiça na barra dos tribunais e a coleccionar senhas de presença na Assembleia Municipal, estas e outras intervenções não deviam ter-lhe passado despercebidas e deviam ser motivo de ponderação antes de afirmar que “não havia uma ligação dos técnicos ao Poder Executivo”, ou que “Não se apostou na educação”, ou, ainda, insinuar que, ao contrário de Gaia, Espinho nada fez nas suas frentes de água!

Sobre o PDM, Pinto Moreira espanta-se: “O processo de revisão do PDM estava a passar completamente ao lado do departamento de urbanismo. Como é possível?”

E agora, o consultor que contratou para a revisão da revisão ao PDM, que antes de ser o seu brain coacher, serviu e serviu-se do executivo de José Mota, conta com o envolvimento do “departamento de urbanismo”? É natural que não, porque esse “departamento” nunca existiu! Existe sim o Departamento de Ordenamento e Ambiente (DOA) e a Divisão de Gestão Urbanística (DGU). Seis meses ainda não foram suficientes para conhecer os cantos à casa! Parece que agora não há é ligação entre o Poder Executivo e os Técnicos…

Só Pinto Moreira se lembraria de contratar para consultor do PDM um arquitecto que tem gabinete em Espinho, projecta para Espinho e passa a ter acesso a informação privilegiada sobre terrenos, projectos, planos,investimentos, etc.! E ninguém investiga!

Apropósito do imenso deserto resultante do enterramento da linha Pinto Moreira diz que “preferia que, no futuro, aquele espaço fosse um boulevard ajardinada”, como se o terreno fosse dele. Isto cheira-me a esturro!…

Em lugar de andar a pensar em alfaces e plantas de cheiro devia fechar rapidamente o processo do concurso e assinar contrato com o consorcio vencedor para a elaboração do projecto de execução. Já perdeu 6 meses.

Por fim, não resisto a transcrever a última pergunta do jornalista: “Que projecto deseja para a cidade de Espinho?”

Ao que Pinto Moreira responde: “Espero que seja uma cidade com futuro. Temos de deixar de viver a ilusão de que Espinho pode viver permanentemente da sua história. Não podemos viver no pasado. Temos de olhar para o futuro”.

Com a devida distância (enorme distância e sabedoria) Jaime Lerner, escreveu:
“A memória da cidade é o nosso retrato de família.”

Nota: Citações do texto de Pedro Sales Dias in Grande Porto de 2/04/10, foto de Pinto Moreira de António Rilo

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4 comentários Post a comment
  1. Oportunista
    Abr 11 2010

    A ideia do blog é boa, mas não era suposto que continuassem a atacar as pessoas pelo aquilo que vestem ou se fazem poses para a fotografia ou não. Isto só revela a sua ignorância e pelo que me parece você é uma pessoa muito frustada mesmo! Mas deixe lá, isso passa-lhe. Sabe o que devia acontecer? Devia ser permitido o despedimento na função pública para acabar com todos os parasitas que estão na câmara de Espinho. TODOS!!! E aí sim, a câmara poderia contratar pessoas com eficiência e produtividade. Portanto, fazendo você parte desse parasitismo, percebo a sua frustração em não cederem aos seus caprichos. Tenha tento na língua e deixe de falar nos aspectos e vida pessoal das pessoas que estão na câmara. Não pense que você é um intelectual da cidade de Espinho, porque os inteligentes e os “intelectuais” são jovens com altas qualificações que estão sair todos da cidade de Espinho devido à especulação imobiliária e a teimarem em não alterar o PDM da cidade para acabar com a especulação. E claro que a responsabilidade também é em grande parte do tal gabinete técnico incompetente da câmara que você tanto auto-vangloria, em que fazem requalificações urbanas vergonhosas em Espinho. É pena só mostrar as imagens bonitas. Porque não mostra também as feias, dos maus trabalhos desempenhados? Eu ainda tentei seguir de vez em quando este blog, mas depressa percebi que era um mais oportunista. Claro que já sei que o comentário será alvo de censura. Mas enfim, ao menos a mensagem chegou a quem a devia ler.

    Responder
  2. Abr 11 2010

    Oportunista (IP: 89.152.108.29 ), apenas 4 esclarecimentos:

    1 – Para se ser funcionário público é preciso ter VINCULO à função pública, coisa que nunca tive enquanto trabalhei na CME;

    2 – Bonitas ou feias, as fotografias demonstram que durante o executivo anterior se executaram arranjos exteriores e recuperaram BAIRROS SOCIAIS degradados, contrariamente ao que Pinto Moreira afirma, em 2/04/10, na entrevista ao jornal “Grande Porto”;

    3 – O PRUM – Programa de Reabilitação Urbana da Marinha (1997-2002) tinha uma área de intervenção limitada no espaço e no tempo. Apesar disso, o trabalho, a multidisciplinaridade, a metodologia e os conceitos aplicados foram reconhecido internacionalmente e, ainda, continua a ser o único, a nível nacional premiado pelo Prémio Europeu do Espaço Público Urbano.

    4 – Aqui não há CENSURA nem lei da rolha e se verificar também não há partidarite.

    Ponto final no assunto.

    Responder
  3. Anti-oportunistas
    Abr 12 2010

    Oh oportunista,

    O seu reconhecimento, já é meu caminho andado para a penitência.

    Mas, vá lá… está à espera de um lugarzito na CME, está?

    Pelo conjunto de ideias que lançou no seu comentário, o “guichet” já deve estar próximo.

    Responder
  4. GR
    Ago 4 2010

    Olá,
    Ideias brilhantes, lembrei-me de si!

    http://video.stumbleupon.com/#p=7lsk0rrjlm

    Boas férias,

    GR

    Responder

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