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7 de Fevereiro de 2010

ACUPUNCTURA URBANA

por peixearanha

Hoje a minha proposta vai no sentido de propor uma reflexão sobre o texto introdutório extraído do livro “Acupuntura Urbana” de Jaime Lerner, arquitecto e urbanista brasileiro, que foi Perfeito de Curitiba por três vezes e Governador do Estado do Paraná, por outras duas, tendo sido, também, Presidente da União Internacional dos Arquitectos.

“Sempre tive a ilusão e a esperança de que, com uma picada de agulha, seria possível curar doenças. O princípio de recuperar a energia de um ponto doente ou cansado por meio de um simples toque tem a ver com a revitalização deste ponto e da área em redor.

Acredito que algumas “magias” da medicina podem, e devem, ser aplicadas às cidades, pois muitas delas estão doentes, algumas quase em estado terminal. Assim como a medicina necessita da interacção entre médico e paciente, em urbanismo também é preciso fazer a cidade reagir. Cutucar uma área de tal maneira que ela possa ajudar a curar, melhorar, criar reacções positivas e em cadeia. É indispensável intervir para revitalizar, fazer o organismo trabalhar de outra maneira.

Muitas vezes indago a mim mesmo por que determinadas cidades conseguem fazer transformações importantes e positivas. Encontro inúmeras e variadas respostas, mas uma delas me parece comum a todas as cidades inovadoras: porque nelas se propiciou um começo, um despertar. É o que faz uma cidade reagir.

Sabemos que o planeamento é um processo. Por melhor que seja, não consegue gerar transformações imediatas. Quase sempre é uma centelha que inicia a acção e a subsequente propagação dessa acção. É o que eu chamo de uma boa acupunctura. Uma verdadeira acupunctura urbana.

O que se poderia classificar como exemplos de uma boa acupunctura urbana? A reciclagem da Cannery, em São Francisco. O Parque Güell, em Barcelona. Às vezes, é uma obra que propicia uma mudança cultural, como foi o caso do Centro Pompidou, em Paris, do Museu Guggenheim, em Bilbau, de Frank Gehry, ou ainda a restauração da Grand Central Station, em Nova York.

Outras vezes, a acupunctura urbana vem por meio de um toque de genealidade, como a Pirâmide do Louvre, a recuperação do Porto Madero, em Buenos Aires, e o conjunto da Pamulha, de Oscar Niemyer, em Belo Horizonte. Coisas pequenas, como o Paley Park, em Nova York. Ou grandes obras, como as do Instituto do Mundo Árabe, de Jean Nouvel, em Paris, e o Museu do Holocausto, de Libeskind, em Berlim.

Em alguns casos, as intervenções dão-se mais por necessidade que por desejo, para recuperar feridas que o próprio homem produziu na natureza, como as pedreiras. Com o tempo, estas feridas criaram uma outra paisagem. O aproveitamento destas paisagens e das correcções do que o homem havia feito de errado é acupunctura de excelentes resultados. Um exemplo claro, óptimo, é a Ópera de Arame de Curitiba. Ou ainda a retirada da free-way em São Francisco.

Aliás, os sistemas de transporte geram boas acupuncturas urbanas pelo mundo. Elas estão presentes nas belas entradas das seculares estações de metro de Paris, nas estações de Norman Foster, em Bilbau, e nos tubos do Sistema Expresso, Curitiba.”

in Acupuntura Urbana/Jaime Lerner – 2ª ed – Rio de Janeiro -RECORD 2005- Copyright Jaime Lerner 2003


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